Você já passou horas alternando entre a aba do hotel em Valletta e a do apartamento em Sliema? A sensação é de que qualquer escolha pode estar errada.

Malta parece pequena no mapa. Mas o arquipélago tem três ilhas habitáveis, templos megalíticos anteriores às pirâmides do Egito e uma capital fortificada que já serviu de locação para séries e filmes. Quem chega sem roteiro definido perde dias em deslocamentos e acaba voltando com a impressão de que faltou algo.

Não falta. Malta é densa. O problema é que a maioria das pessoas tenta encaixar tudo em cinco dias e termina fazendo nada direito.

  • Malta é um arquipélago no Mar Mediterrâneo, entre a Sicília e o litoral da Tunísia; é membro da União Europeia e usa o euro como moeda.
  • Brasileiros não precisam de visto para turismo de até 90 dias no Espaço Schengen, mas devem ter passaporte válido e seguro viagem com cobertura mínima de 30 mil euros.
  • As ilhas principais são Malta, Gozo e Comino; a capital Valletta é Patrimônio Mundial da Unesco e o aeroporto internacional (MLA) fica a 20 minutos de carro.
  • Os deslocamentos são feitos por ônibus da Tallinja, e a travessia para Gozo é por ferry da Gozo Channel; dirigir no país exige atenção por ser mão inglesa.
  • A melhor época para visitar é primavera e outono, quando o clima é ameno e as multidões de verão diminuem.
  • Por que Malta rende mais do que o mapa sugere?
  • Quais são as escolhas que separam um roteiro bem aproveitado de um roteiro cheio de armadilhas?
  • Como encaixar Gozo e Comino sem sacrificar os templos e a capital?
  • O que você precisa saber antes de entrar no avião para não pagar caro por erro de planejamento?

Malta não é um destino pequeno: é um país em miniatura com camadas demais

Malta tem história de mais de 8.500 anos, uma capital planejada por cavaleiros medievais e uma gastronomia que mistura Itália, norte da África e Inglaterra. O país é uma ex-colônia britânica que usa euro e fala inglês, com trânsito pela esquerda e tomadas de três pinos.

As três ilhas principais têm personalidades opostas. Malta é a mais urbana e histórica, Gozo é rural e silenciosa, Comino é praticamente uma lagoa azul e pouco mais. A questão é saber quando e como se mover entre elas.

Poucos sabem que Malta tem templos megalíticos mais antigos que Stonehenge e as pirâmides do Egito.

Mergulho em Malta: naufrágios da Segunda Guerra e águas cristalinas

viagem para Malta
Imagem/Referência: Maladeaventuras

Malta não é só pedra e história. Debaixo da superfície, o país tem uma das maiores concentrações de naufrágios acessíveis do Mediterrâneo. A posição estratégica durante a Segunda Guerra fez do arquipélago alvo de bombardeios e deixou um parque subaquático raro.

Para quem pretende mergulhar, as águas quentes e de visibilidade alta de maio a outubro permitem explorar destroços, cavernas e paredões sem precisar de roupa seca. A temperatura varia entre 16 e 27 graus conforme a época.

O HMS Maori, destróier britânico afundado em 1942, está a apenas 14 metros de profundidade em Valletta – um dos naufrágios mais acessíveis para iniciantes no mundo.

Principais sítios de mergulho

o que fazer em Malta
Imagem/Referência: Vagamundos Pt

Para escolher, pense no seu nível de certificação. Malta tem opções rasas e profundas.

  • HMS Maori – em Valletta, perto da costa, boa para iniciantes.
  • Um El Faroud – navio-tanque de 115 metros afundado intencionalmente, perto de Zurrieq, para mergulhadores avançados.
  • Blue Hole e Coral Garden – em Gozo, combinação de caverna vertical e jardim de corais, ideal para fotografia.
  • P29 – antigo barco de patrulha alemão afundado como recife artificial em Cirkewwa, entre 12 e 34 metros.

Os centros de mergulho alugam equipamento completo e organizam saídas guiadas. Se você não tem certificado, dá para fazer um batismo em águas rasas no mesmo dia.

Na minha experiência acompanhando grupos em Malta, já vi viajantes tentarem encaixar mergulho, templos e passeios de barco no mesmo dia. Não funciona: cada atividade tem seu tempo, e o deslocamento consome mais do que o mapa sugere.

Intercâmbio de inglês em Malta: por que tantos brasileiros escolhem

Malta combina inglês como idioma oficial, sol o ano inteiro e custo menor que na Inglaterra ou Irlanda. Não é coincidência que brasileiros apareçam com frequência nas escolas de Sliema e St. Julian’s. A ilha concentra dezenas de escolas credenciadas, com turmas pequenas e estrutura de quem já recebe estudantes de fora há décadas.

Como o país faz parte da União Europeia e a moeda é o euro, os preços de hospedagem e alimentação podem ser altos, mas o curso em si costuma ser mais acessível que em Londres ou Dublin, especialmente fora do verão europeu.

Escolas e cursos de curta duração

As escolas oferecem cursos de uma a oito semanas. O de curta duração é o mais procurado por quem busca aproveitar o idioma e ainda passear.

Tipo de cursoCarga horária semanalPerfil
Inglês geral15 a 20 horasFlexível, combina com turismo
Intensivo25 a 30 horasQuem precisa avançar rápido
Preparação para IELTS/Cambridge20 horas + simuladosQuem precisa de certificação

Muitas escolas ficam a poucos minutos do mar. A rede de ônibus da Tallinja conecta Sliema e St. Julian’s ao restante da ilha, então dá para estudar de manhã e explorar à tarde.

Templos megalíticos de Malta: mais antigos que as pirâmides

Os templos de Malta foram erguidos entre 3600 e 2500 a.C., antes da Grande Pirâmide de Gizé. Eles usam blocos de calcário de várias toneladas e foram construídos sem metal, rodas ou animais de carga. A função exata permanece desconhecida, mas as câmaras internas sugerem rituais de fertilidade e culto aos mortos.

O país tem sete templos reconhecidos pela Unesco. Os mais bem preservados e de acesso mais fácil ficam no sul da ilha principal: Ħaġar Qim e Mnajdra.

Os dois templos ficam no mesmo sítio arqueológico, a cerca de 20 minutos de carro de Valletta. A entrada conjunta dá acesso às ruínas, ao museu sensorial e a um documentário de 20 minutos.

Ħaġar Qim e Mnajdra: como visitar

Chegue cedo. O sol do meio-dia castiga e a multidão aparece a partir das 10h. De ônibus, a linha 74 parte do terminal de Valletta e para na entrada do parque.

  • Compre o ingresso on-line se for na alta temporada.
  • Use calçado fechado, o terreno é irregular.
  • Leve água e chapéu, há pouca sombra.
  • Reserve pelo menos 1h30 para ver os dois templos com calma.

O bloco de Mnajdra está alinhado com os solstícios de verão e inverno: em dias específicos, o sol entra pela porta principal e ilumina o altar central. É o tipo de detalhe que passa despercebido sem guia.

Gastronomia maltesa: pastizzi, fenek e Kinnie

A cozinha de Malta é um retrato da ilha: massa italiana, temperos árabes, chá inglês e muito pão. Comer bem aqui não exige restaurante caro – as melhores experiências saem das padarias de rua e dos bares de aldeia.

O pastizzi é o salgado mais popular: folhado quente recheado de ricota ou purê de ervilha. Custa pouco e resolve o lanche rapidinho. Tem de manhã e no fim da tarde.

Pratos típicos e onde provar

Para provar o essencial da ilha, monte seu roteiro em torno dos seguintes pratos.

  • Pastizzi – compre em padarias como Crystal Palace, em Rabat, logo após descer da cidade velha de Mdina.
  • Ħobż biż-żejt – pão maltês aberto, esfregado com tomate, azeite, alcaparras, atum e cebola. Em qualquer bar de rua honesto.
  • Fenek – coelho guisado, prato nacional, servido com batatas e legumes. Melhor em restaurantes familiares no interior.
  • Kinnie – refrigerante de laranja amarga e ervas, levemente amargo, feito na ilha desde 1952. Vai bem com tudo.

A cerveja Cisk, gelada, é a companhia padrão do fim de tarde em Sliema. Para um doce, o pudim de pão e as tortas de tâmaras aparecem nos cafés tradicionais.

Depois de algumas passagens por Malta, entendi que a ilha não entrega tudo de uma vez. Ela exige escolha. Você não consegue, em três dias, mergulhar nos naufrágios, explorar os templos, atravessar para Gozo e ainda curtir praia sem correria.

O erro mais comum que vejo é montar um roteiro com base no tamanho do país. Malta tem 316 km², mas as estradas são estreitas, o trânsito trava no verão e as travessias de ferry têm horário. Isso muda completamente o tempo real de deslocamento.

Outro ponto: a ilha é segura e previsível, mas tem uma burocracia de entrada que pega desprevenido. Seguro viagem com cobertura de 30 mil euros não é sugestão – é exigência para entrar no Espaço Schengen. Se não tiver o documento impresso, pode virar recusa na imigração.

Para quem busca mergulhar, estudar, comer e fotografar, o ideal é distribuir as ambições. E é sobre isso que as próximas seções falam.

Festas e eventos em Malta: da festa tal-villa ao carnaval

Malta tem mais de 60 festas de padroeiro entre junho e setembro. São as festas tal-villa, celebrações de rua que tomam as aldeias com bandeiras, estátuas, comida e fogos de artifício. Cada vilarejo compete para ter a festa mais grandiosa do ano.

O calendário é denso. Em agosto, quase toda semana há pelo menos uma festa em algum canto da ilha. Isso é ótimo para quem deseja viver a cultura local, mas também significa desvios de trânsito e ruas fechadas sem aviso.

Festa tal-villa: fogos e tradição

As festas duram dias. O ponto alto é a procissão com a estátua do santo padroeiro, seguida de fogos de artifício por horas. As aldeias de Mosta, Naxxar e Rabat estão entre as mais intensas.

Para participar sem se perder: verifique o calendário da paróquia local com antecedência, chegue cedo para conseguir lugar para ver a procissão e evite circular de carro no centro da vila nesses dias.

PeríodoAlgumas festas conhecidasImpacto no trânsito
JunhoImnarja (folclore, em Buskett)Médio
JulhoFesta de São Paulo em RabatAlto
AgostoSanta Marija em Mosta e NaxxarMuito alto

Se a ideia é fotografar os fogos, posicione-se em pontos elevados fora do centro, como mirantes ou rooftops de hotéis vizinhos.

Malta como locação de cinema: Game of Thrones, Gladiador e Popeye

Malta já serviu de locação para grandes produções por uma razão simples: a arquitetura de pedra parece saída de outro tempo, e o sol mediterrâneo entrega uma luz difícil de reproduzir em estúdio.

Os fãs de Game of Thrones reconhecem Mdina (Porto Real na primeira temporada) e os jardins de San Anton. O filme Gladiador usou o Forte Ricasoli, perto do Grande Porto, para cenas de batalha. E a Vila Popeye, em Anchor Bay, foi construída para o musical de 1980 e permanece de pé como parque temático.

Locais de filmagem que você pode visitar

Nem todos estão abertos, mas muitos são parques públicos ou ruínas acessíveis.

  • Mdina e Rabat – portões e ruas estreitas usados em Game of Thrones e em O Conde de Monte Cristo.
  • Forte Ricasoli – visível do mar ou de pontos altos em Kalkara; o acesso interno é restrito, mas a vista externa impressiona.
  • Vila Popeye – em Anchor Bay, aberta à visitação, com piscina e atividades para crianças.
  • Azure Window (Dwejra, Gozo) – apesar do arco ter colapsado em 2017, o local ainda recebe fãs da série que querem ver o cenário do casamento de Daenerys.

Para montar um roteiro de filmagem, agrupe Mdina e Rabat pela manhã e siga para o litoral oeste à tarde, evitando o calor forte do meio-dia.

Dicas avançadas para dirigir em Malta

Dirigir em Malta é a forma mais rápida de explorar as praias do norte e os templos do sul. Mas a mão inglesa assusta quem não está acostumado, e as estradas são estreitas, com rotatórias pequenas e motoristas locais impacientes.

O carro alugado é mais útil se você planeja ficar em Mellieha, St. Paul’s Bay ou no interior. Se a base for Valletta ou Sliema, os ônibus e os aplicativos resolvem melhor, porque estacionar nessas áreas é caro e escasso.

Trânsito pela esquerda: como se adaptar

O ponto não é decorar a regra, é treinar o olhar. Nos primeiros minutos, mantenha-se atrás de outros carros e repita mentalmente: o volante fica à direita, o lado do passageiro fica à esquerda.

  • Nas rotatórias, entre pela esquerda e ceda passagem a quem já está nela.
  • Use GPS com modo offline, pois o sinal falha em áreas rurais.
  • Não confie nos horários de estacionamento pintados no chão; muitos lugares têm zonas de residentes com multa rápida.
  • Abasteça em postos self-service, comuns fora da capital.
O limite de velocidade nas áreas urbanas é de 50 km/h, mas muitas ruas residenciais têm 30 km/h. As câmeras são discretas e as multas chegam por correio.

Eu costumo recomendar alugar carro somente se você for se hospedar fora de Valletta. Dentro da capital, o trânsito limitado e o estacionamento escasso tornam o carro um estorvo.

O que mudou no turismo em Malta nos últimos anos

Malta tem investido em hospedagens de estilo boutique, especialmente em palácios restaurados de Valletta e nas casas tradicionais das Três Cidades. É uma alternativa ao eixo Sliema-St. Julian’s, cheio de apartamentos modernos e vida noturna.

O sistema de ônibus também evoluiu: ônibus da Tallinja aceitam pagamento por aproximação no próprio veículo, o que reduziu a necessidade de comprar bilhete antecipado. Aplicativos de transporte por carro ganharam espaço, mas os taxistas locais ainda dominam os pontos turísticos.

Hospedagens boutique em Valletta e Três Cidades

Ficar em Valletta é mergulhar na história: ruas de pedra, varandas coloridas e acesso a pé aos principais monumentos. À noite, a capital esvazia e ganha um clima silencioso que agrada a quem prefere sossego.

As Três Cidades, do outro lado do Grande Porto, oferecem uma experiência mais residencial e preços de hospedagem um pouco menores que os de Valletta, com vistas espetaculares do skyline da capital.

BasePerfilVantagemDesvantagem
VallettaPrimeira viagem, história, caminhadasTudo perto, atmosfera únicaPoucas praias, trânsito restrito
Três CidadesCasais, quem busca sossegoVista do porto, preço mais em contaDepende de transporte para praias
SliemaCompras, bares, vida urbanaConectividade, muitos ônibusBarulho, trânsito intenso

Se a ideia é combinar conforto e charme, leia as avaliações com atenção: muitos palacetes têm escadas íngremes e pouca acessibilidade.

Dicas finais para fechar a mala sem susto

Dicas de Viagem · Roteiro Prático

  • 01Melhor época: Primavera e outono têm clima agradável, menos multidões e preços de hospedagem mais baixos que julho e agosto.
  • 02O que levar: Adaptador de tomada tipo G (padrão britânico) e calçado confortável para as ruas de pedra de Valletta e Mdina.
  • 03Recomendação: Visite a Blue Lagoon em Comino cedo ou no fim do dia; os passeios de barco partem lotados, e a baía rasa perde o encanto às 11h da manhã.

Um fato que quase ninguém menciona: a densidade turística de Malta é muito alta. O país recebe mais de 3 milhões de visitantes por ano, cinco vezes a população local. Isso significa que os horários de pico são implacáveis, e os roteiros que param nos mesmos pontos sofrem mais.

Você fez bem em buscar informação antes de decidir. Malta é um destino que recompensa quem chega sabendo o que priorizar, e agora você tem uma visão clara do que é essencial, do que pode ser deixado de lado e de como ajustar o roteiro ao seu perfil.

Comece definindo a base de hospedagem, depois distribua os dias entre ilhas e história. E não subestime os deslocamentos: eles são a parte mais chata de qualquer roteiro maltês, mas também a mais previsível quando você se planeja.

Boa viagem.

O que pouca gente sabe: O Hypogeum de Ħal Saflieni, templo subterrâneo neolítico, limita a entrada a 80 pessoas por dia e os ingressos somem semanas antes. Quem deixa para comprar no dia não entra.

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Sou Rizi Carnale, guia de turismo apaixonada por desbravar destinos e compartilhar experiências autênticas. Com anos de estrada e um olhar atento aos detalhes que tornam uma viagem inesquecível, criei o Trip & Travel para ser o seu porto seguro na hora de planejar o próximo embarque. Aqui, transformo meu conhecimento técnico e vivência prática em roteiros, dicas e guias dentro e fora do Brasil, que vão muito além do óbvio, ajudando você a viajar com mais confiança, segurança e, acima de tudo aproveitando cada segundo!